Proposta para Caracol da Penha, Lisboa, contempla anfiteatro e hortas comunitárias
12 de setembro de 2017

O projeto preliminar para o Jardim do Caracol da Penha, em Lisboa, contempla zonas de lazer, uma praça multidisciplinar, hortas comunitárias e um anfiteatro natural, avançou  um dos porta-vozes do movimento criado para aquele espaço.


A versão preliminar do projeto que irá nascer no jardim que abrange as freguesias de Penha de França e Arroios foi apresentada no passado 8 de setembro aos lisboetas e resultou de um processo de auscultação à população, anunciado em março pela Câmara de Lisboa.


Segundo um dos porta-vozes do Movimento pelo Jardim do Caracol da Penha, Miguel Pinto, aquele espaço irá contar com três plataformas.


A primeira, mais elevada, irá receber o anfiteatro e uma zona de relvado, a zona central terá uma "grande praça multifuncional, com sombra e vista sobre a cidade, um quiosque, duas mesas grandes para 'workshops' ou aulas, uma queda de água, e ainda um espelho de água", apontou Miguel Pinto. Já a zona mais baixa terá a "zonas das hortas comunitárias e uma míni praça".


"Houve uma preocupação com as acessibilidades, para que as pessoas com mobilidade reduzida possam chegar ao jardim, e que este fosse um espaço polivalente e multigeracional, que responda às carências de espaços públicos" que existem nesta zona da cidade, apontou o porta-voz.


Miguel Pinto explicou também  que as soluções encontradas tiveram em consideração "custos de manutenção razoáveis", e que o número de árvores existentes irá aumentar. "O jardim foi pensado para tentar maximizar o espaço e os públicos a que chega nas várias alturas do ano", afirmou.


Agora, segue-se um novo período de discussão pública, "durante duas ou três semanas, e depois o projeto será apresentado" à Câmara e à Assembleia Municipal para ser debatido.


Relativamente à sessão, que contou com a presença do vice-presidente do município de maioria socialista, Duarte Cordeiro, o porta-voz referiu que, da parte da população, "correu bem e houve poucas perguntas", e quanto à Câmara, "foi sensível ao processo construtivo".


O processo de consulta à população, que a Câmara de Lisboa anunciou que visava "ouvir a comunidade de modo a definir um projeto para o jardim que vá ao encontro das aspirações dos seus futuros utilizadores", recolheu perto de 300 participações.


O porta-voz do movimento disse que as propostas foram recebidas através de plataformas eletrónicas e também de postais recolhidos através de "caixas de sapatos colocadas em vários estabelecimentos" das duas freguesias.


O "processo de construção não foi pacífico porque as pessoas, mesmo dentro do grupo, queriam coisas diferentes", referiu Miguel Pinto, acrescentando que o movimento trabalhou durante alguns meses "para mediar o que é possível fazer lá com o que as pessoas pediram".


Apontando que a Câmara "acedeu às propostas", o responsável elencou que Duarte Cordeiro estimou que "o projeto deve estar fechado até final deste ano" e que "no início de 2019, o jardim deverá estar a ser aberto".


O Jardim do Caracol da Penha foi o projeto vencedor da última edição do Orçamento Participativo de Lisboa, sendo também o projeto mais votado de sempre, com 9.477 votos.


Inicialmente, a autarquia previa que aquele espaço desse lugar a um parque de estacionamento, mas acabou por abandonar essa ideia.

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